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Testes laboratoriais para SARS-CoV-2, Testes Rápidos

Testes laboratoriais para SARS-CoV-2, Testes Rápidos

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28 mai 2020

Para: Divulgação geral

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  • Centro de Informação do Medicamento e dos Produtos de Saúde (CIMI); Tel. 21 798 7373; Fax: 21 111 7552; E-mail: cimi@infarmed.pt; Linha do Medicamento: 800 222 444

A COVID-19 foi declarada, pela Organização Mundial de Saúde, como pandemia no dia 11 de março de 2020. Tendo sido estabelecida uma estratégia gradual de levantamento de medidas de confinamento no âmbito do combate à pandemia, continua a impôr-se a aplicação de medidas extraordinárias que garantam uma resposta atempada a esta doença, incluindo a identificação precoce de casos e o respetivo diagnóstico laboratorial.

No seguimento da Orientação n.º 015/20201 da Direção-Geral da Saúde (DGS), é importante disponibilizar, de forma complementar, informação sobre os testes disponíveis no mercado, no sentido de clarificar a sua indicação e utilização clínicas, tendo por base o conhecimento científico atual e as normas técnicas de instituições de referência europeias.

Em Portugal, os testes de diagnóstico laboratorial para SARS-CoV-2, só podem:
1. Ser comercializados e utilizados se registados no Infarmed, de acordo com a legislação aplicável;
2. Ser realizados por profissionais de saúde legalmente habilitados de acordo com o Despacho n.º 10009/2019, de 5 novembro, e seguindo a Orientação n.º 015/2020 da DGS;
3. Ser realizados em laboratórios hospitalares ou outros com biossegurança de nível 2, e em unidades prestadoras de cuidados de saúde2 desde que asseguradas as condições de higiene e biossegurança adequadas3.


Os testes laboratoriais para SARS-CoV-2 podem ser classificados quanto ao componente biológico detetado (componentes do vírus vs. anticorpos anti-SARS-CoV-2) e quanto ao tipo de tecnologia utilizada (automatizados vs. não automatizados ou rápidos) (Anexo I)4.

À data, o diagnóstico de novos casos de infeção por SARS-CoV-2 deve ser realizado exclusivamente por testes de deteção de componentes do vírus, sendo os testes de biologia molecular (RT-PCR) para a deteção de RNA considerados de referência, por apresentarem maior fiabilidade5,6,7.
 

  • Tipos de testes laboratoriais quanto ao componente biológico detetado

Os testes de diagnóstico laboratorial de SARS-CoV-2, disponíveis atualmente, dividem-se em duas categorias relativamente aos componentes biológicos detetados8:
 

1. Componentes do vírus:

a) Os testes de biologia molecular (RT-PCR) que detetam o RNA do vírus;
b) Os testes de antigénio que detetam proteínas, tais como proteínas da superfície do vírus.

2. Anticorpos anti-SARS-CoV-2:

a) Os testes serológicos que detetam anticorpos (IgA, IgM e/ou IgG) produzidos pelo organismo como resposta à infeção pelo SARS-CoV-2.

Enquanto os testes moleculares e os testes de antigénio são geralmente realizados em amostras do trato respiratório superior e/ou inferior, os testes serológicos utilizam soro, sangue total ou plasma.
 

  • Tipo de testes laboratoriais quanto à tecnologia utilizada

Quanto ao tipo de tecnologia utilizada, os testes de diagnóstico laboratorial, comercializados com marcação CE, podem dividir-se em dois grupos9:

1. Testes automatizados, processados em equipamentos laboratoriais de análise:

a) Testes de deteção de componentes do vírus (RNA) por biologia molecular:
i. RT-PCR convencional ou em tempo real (rRT-PCR)10;
ii. Baseados em RT-PCR em sistema fechado, em equipamentos específicos, que permitem a obtenção dos resultados num período tempo mais curto (habitualmente menos de 1 hora, conhecidos por testes “rápidos” de rRT-PCR), que os testes de biologia molecular convencional ou em tempo real (indicados na alínea anterior). Apesar disso, estes testes, que podem ser realizados em equipamentos portáteis, não são abrangidos pela definição de “teste rápido” abaixo indicada.
b) Testes semi-quantitativos de deteção de anticorpos (por exemplo, ELISA).

2. Testes não automatizados ou testes rápidos, que são dispositivos para diagnóstico in vitro para a realização de testes únicos ou de pequenas séries, com baixa complexidade de execução técnica, e que permitem a obtenção dos resultados em 10 – 30 minutos11,12:

a) Testes de deteção de componentes do vírus (proteínas), também designados testes de deteção de antigénio;
b) Testes qualitativos de deteção de anticorpos (por exemplo, imunocromatografia). Estes testes de menor complexidade tendem a ser menos sensíveis do que os testes semi-quantitativos de deteção de anticorpos.


Utilização dos testes laboratoriais (Anexo II e III)
Como qualquer meio complementar de diagnóstico, os resultados dos testes laboratoriais para SARS-CoV-2 devem ser correlacionados com a história clínica do doente e o seu contexto epidemiológico.

À data, o diagnóstico de novos casos de infeção por SARS-CoV-2 deve ser realizado exclusivamente por testes de deteção de componentes do vírus, sendo os testes de biologia molecular (RT-PCR) para a deteção de RNA viral considerados de referência, nos termos das normas e orientações da DGS e da presente Circular. Dependendo da gravidade da doença e de fatores intrínsecos à pessoa infetada (por exemplo: fatores genéticos, resposta do sistema imunitário, comorbilidades, idade, etc.), a excreção e deteção do RNA viral pode ser mais ou menos prolongada.

A probabilidade de um resultado positivo varia com o tipo de amostra biológica, a qualidade da colheita e a dinâmica da carga viral, ou seja, da quantidade de RNA viral presente numa determinada localização anatómica e em cada fase e gravidade da doença. Os estudos publicados até à data, mostram que a probabilidade de um teste positivo decresce com o número de dias após o início dos sintomas.

Adicionalmente, é relevante ter em consideração que a evidência atual mostra que o RNA de SARS-CoV-2 pode ser identificado 1-2 dias antes do início dos sintomas, podendo persistir, nos casos moderados, até 8-12 dias depois do início da doença (embora existam casos reportados de deteção de RNA após o 28.º dia de infeção). Nos casos graves, a dinâmica da carga viral, no que se refere ao período de excreção até a clearance viral, pode estar alterada e ser mais prolongada comparativamente com o que acontece nos casos moderados13,14.

A interpretação dos resultados destes testes deve considerar o nível de suspeição clínica para a COVID-19, pelo que num doente com quadro clínico fortemente suspeito um teste negativo só por si não deve constituir prova de exclusão de infeção por SARS-CoV-2.

Os testes de deteção de antigénio, por princípio, têm uma sensibilidade menor do que os testes moleculares (rRT-PCR), particularmente quando a carga viral é mais baixa. Desta forma, no início da infeção, a deteção da presença de uma proteína do SARS-CoV-2 pode ocorrer mais tarde do que a identificação do RNA viral por rRT-PCR.

A fase em que com maior probabilidade é possível detetar um antigénio viral num indivíduo infetado, utilizando um teste rápido de deteção de antigénio, é aquela em que a carga viral é tipicamente mais elevada (Anexo III).

Os testes serológicos, automatizados e rápidos, detetam a presença de anticorpos IgA, IgM e IgG para o SARS-CoV-2. Sendo testes de deteção da resposta imunológica, não estão recomendados para o diagnóstico de novos casos de COVID-19. De facto, a resposta imunológica na infeção por SARS-CoV-2 é detetada a partir da segunda semana de infeção, ou seja, cerca de 8 a 10 dias após o início dos sintomas15. Não obstante, alguns estudos mostraram a identificação de IgM a partir do quinto dia após o início da doença16. A seroconversão da IgM e IgG parece ocorrer entre a terceira e quarta semana depois do início da infeção. Depois disso, os títulos de IgM diminuem, comparativamente com a IgG que pode persistir para além das sete semanas após a infeção por SARS-CoV-217,18 (Anexo III).

Até à data, a evidência disponível não permite inferir sobre a natureza e duração dos anticorpos produzidos como resposta à infeção por SARS-CoV-2, em indivíduos sintomáticos ou assintomáticos, e se esses anticorpos conferem imunidade de longa duração.

Por isso, o resultado dos testes de deteção de anticorpos quando interpretados isoladamente não exclui a possibilidade da pessoa estar infetada. Apesar da sua limitada utilidade clínica, estes testes podem ser utilizados em estudos epidemiológicos populacionais (de seroprevalência) e de investigação, como o caso do Inquérito Serológico Nacional COVID-19, utilizando testes de deteção de anticorpos específicos, pelo método ELISA (Enzyme-Linked Immunosorbent Assay) ou de quimiluminescência, que se baseiam na deteção individual de IgA, IgM, IgG ou de anticorpos totais para monitorizar a imunidade contra o SARS-CoV-2 na população portuguesa.

Relativamente aos testes rápidos é relevante ter em consideração que não podem constituir um critério único na avaliação do estado do doente, pelo que têm de ser interpretados em conjunto com outros dados clínicos e/ou laboratoriais.

Informa-se ainda que o INFARMED, I.P. é a Autoridade Competente para a fiscalização da conformidade dos testes de diagnóstico in vitro podendo solicitar uma verificação laboratorial pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), laboratório de referência nacional no contexto do COVID-19. À DGS compete emitir normas e orientações em matéria de saúde pública.
 


1 Consultar Orientação nº 015/2020 de 23/03/2020 atualizada a 24/04/2020 COVID-19: Diagnóstico Laboratorial. Disponível em: https://www.dgs.pt/directrizes-da-dgs/orientacoes-e-circulares-informativas/orientacao-n-0152020-de-23032020-pdf.aspx
2 Estabelecimentos prestadores de cuidados de saúde registados na Entidade Reguladora de Saúde (ERS).
3 WHO(2020) Laboratory biosafety guidance related to coronavirus disease (COVID-19). WHO. Disponível em: https://www.who.int/publications-detail/laboratory-biosafety-guidance-related-to-coronavirus-disease-(covid-19)
4 Comissão Europeia. Orientação sobre os testes de diagnóstico in vitro para a COVID-19 e o respetivo desempenho, Jornal Oficial da União Europeia C 122 de 15.04.2020
5 Consultar Orientação nº 015/2020 de 23/03/2020 atualizada a 24/04/2020 COVID-19: Diagnóstico Laboratorial. Disponível em: https://www.dgs.pt/directrizes-da-dgs/orientacoes-e-circulares-informativas/orientacao-n-0152020-de-23032020-pdf.aspx
6 WHO (2020). Laboratory Testing for 2019 novel Coronavirus in suspected human cases. WHO. Disponível em: https://www.who.int/publications-detail/laboratory-testing-for-2019-novel-coronavirus-in-suspected-human-cases- 20200117
7 Interim Guidelines for Collecting, Handling, and Testing Clinical Specimens from Persons for Coronavirus Disease 2019 (COVID-19), CDC, 19 marc¿o, 2020
8 European Commission. Current performance of COVID-19 test methods and devices and proposed performance criteria. Working document of Commission services, 16 April 2020
9 Comissão Europeia. Orientação sobre os testes de diagnóstico in vitro para a COVID-19 e o respetivo desempenho, Jornal Oficial da União Europeia C 122 de 15.04.2020
10 Os testes para a deteção do RNA do SARS-CoV-2 podem incluir como alvo os genes que codificam para a RNA dependente RNA polimerase (RdRp), a nucleoproteina (N), o invólucro (E), a espicula (S), ou para a ORF-1
11 Comissão Europeia. Orientação sobre os testes de diagnóstico in vitro para a COVID-19 e o respetivo desempenho, Jornal Oficial da União Europeia C 122 de 15.04.2020
12 European Centre for Disease Prevention and Control. An overview of the rapid test situation for COVID-19 diagnosis in the EU/EEA. 1 April 2020. Stockholm: ECDC; 2020. Disponível em: https://www.ecdc.europa.eu/sites/default/files/documents/Overview-rapid-test-situation-for-COVID-19-diagnosis-EU-EEA.pdf
13 Liu Y et al. Lancet Infect Dis. 2020 Mar 19:S1473-3099(20)30232-2
14 Zou L et al. N Engl J Med. 2020 Mar 19;382(12):1177-1179
15 Lou B et al. medRxiv March 27, 2020
16 Sethuraman N et al. JAMA May 6,2020
17 To KK-W et al. Lancet Infect Dis. 2020;20(5):565-574
18 Xiang F et al. Clin Infect Dis. April 19, 2020

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