Infarmed acolhe primeira bolseira FCT em ambiente não académico para Doutoramento em Farmácia
09 jan 2026
Margarida Perdigão é a primeira bolseira de Doutoramento da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) em contexto não académico no Infarmed, onde está a desenvolver um projeto de investigação em Farmacovigilância focado na promoção da notificação espontânea de suspeitas de reações adversas a medicamentos (RAM) pelos cidadãos.
Mestre em Ciências Farmacêuticas pela Universidade do Algarve, com pós-graduação em Ciclos de Vida do Medicamento e do Dispositivo Médico pela Universidade de Évora, iniciou em 2024 o Doutoramento em Farmácia na Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, após um percurso profissional ligado à farmacovigilância regional.
"É uma honra enorme e uma grande responsabilidade ser a primeira bolseira de doutoramento da FCT, em contexto não académico, com a instituição de acolhimento Infarmed", afirma a investigadora, sublinhando que esta oportunidade permite "aproximar a investigação académica da realidade regulatória e do seu impacto direto na saúde pública e individual". Margarida Perdigão destaca ainda o apoio da Direção de Gestão do Risco de Medicamentos (DGRM) e a colaboração dos seus orientadores académicos como fundamentais para o desenvolvimento do projeto.
O projeto de doutoramento estrutura-se em quatro fases e tem como objetivo central identificar e implementar intervenções eficazes para capacitar os cidadãos a notificar suspeitas de RAM. "Pretendo melhorar a literacia em farmacovigilância dos cidadãos portugueses e promover a notificação espontânea junto da população em geral", explica, acrescentando que os resultados poderão contribuir para uma abordagem mais inovadora e próxima da farmacovigilância de rotina.
A primeira fase consistiu numa revisão sistemática, premiada no Dia da Farmacovigilância 2025 e que analisou intervenções destinadas a capacitar cidadãos para a notificação de RAM. Dos 15 estudos incluídos, a maioria demonstrou aumento das notificações após a intervenção, sobretudo em abordagens educativas, tecnológicas e de sensibilização, muitas delas lideradas por farmacêuticos. "Apesar das limitações associadas à heterogeneidade dos estudos, as intervenções educativas e tecnológicas demonstraram impacto na capacitação dos cidadãos para a notificação espontânea", refere.
Atualmente, a investigadora encontra-se a desenvolver um estudo transversal multinacional junto de Autoridades Nacionais Competentes da Rede Europeia de Regulamentação dos Medicamentos responsáveis pela Farmacovigilância e Associações de Pessoas com Doença (APD), bem como a preparar um estudo observacional na região de Évora. Entre os principais desafios identificados está a subnotificação por parte dos cidadãos, associada à "reduzida literacia sobre RAM e notificação espontânea", ao desconhecimento dos mecanismos de reporte e a barreiras como a complexidade dos formulários de notificação ou a falta de feedback.
Para outros estudantes e investigadores, Margarida Perdigão deixa uma mensagem clara: "Abracem esta colaboração interdisciplinar com espírito aberto, compromisso e vontade de aprender. É um percurso desafiante, porém muito gratificante", expressando a expectativa de que mais doutorandos venham a desenvolver projetos de investigação no Infarmed, com impacto concreto para os cidadãos e para a saúde pública.