USO DA TERAPÊUTICA HORMONAL DE SUBSTITUIÇÃO (THS) PARA PREVENÇÃO DE OSTEOPOROSE: INFORMAÇÃO IMPORTANTE PARA MULHERES UTILIZADORAS DA THS

 

Como certamente já tem conhecimento, o uso da terapêutica hormonal de substituição (THS) na pós-menopausa tem vindo a ser objecto de avaliação pelas autoridades competentes na área do medicamento a nível Europeu. É possível que já tenha tido conhecimento da recente recomendação de que a THS não deverá ser utilizada como terapêutica de primeira escolha na prevenção da osteoporose. Esta recomendação surge na sequência de uma revisão do balanço benefício-risco da THS, realizada a nível Europeu, e terá efeito em todos os países da União Europeia.
Embora não seja necessário proceder a alterações urgentes ao tratamento, se ficar preocupada, deverá contactar o seu médico.

Uso da THS
Na Europa, os medicamentos convencionais usados na THS (contendo estrogénios isolados ou estrogénios em associação com progestagénios) estão autorizados para alívio dos sintomas da menopausa, incluindo afrontamentos, secura vaginal e suores nocturnos. Alguns destes medicamentos estão também autorizados para uso na prevenção da osteoporose, sendo para esse efeito utilizados em tratamentos prolongados.

Estudos recentes sobre segurança da THS quando utilizada em tratamentos prolongados
Um estudo publicado em 2002, o Women’s Health Initiative (WHI) pôs em destaque aspectos de segurança relacionados com o uso da THS por longos períodos de tempo. Mais recentemente, foram publicados os resultados de um outro estudo (Million Women Study - MWS) realizado no Reino Unido em aproximadamente um milhão de mulheres na pós-menopausa, sobre o efeito de diferentes tipos de THS no risco de cancro da mama. Estes resultados confirmaram que a THS só com estrogénios provoca um pequeno aumento do risco de cancro da mama e a THS de associação (estrogénios mais progestagénios) evidenciou um aumento do risco superior ao da THS só com estrogénios. A tibolona, outro tipo de THS, evidenciou também um aumento do risco do cancro da mama comparativamente com mulheres não submetidas a THS.

Risco global de cancro da mama, com e sem THS
Em mulheres não submetidas a THS, 32 em cada 1000 (em média) irão desenvolver cancro da mama no grupo etário compreendido entre os 50 e os 65 anos. Em mulheres a utilizarem medicamentos contendo apenas estrogénios, é esperado um acréscimo de 1 a 2 casos de cancro da mama diagnosticados em cada 1000 mulheres após a utilização durante 5 anos e um acréscimo de 5 casos em cada 1000 mulheres após a utilização durante 10 anos, comparativamente a mulheres não submetidas a THS.
Na THS de associação é esperado um acréscimo de 6 casos de cancro da mama em cada 1000 mulheres após a utilização durante 5 anos e um acréscimo de 19 casos em cada 1000 mulheres após a utilização durante 10 anos, comparativamente a mulheres não submetidas a THS.
Quanto maior o período de tempo de uso da THS, maior o risco de cancro da mama. Contudo, em todos os casos, o risco de cancro da mama decresce quando a THS é interrompida e após 5 anos de interrupção retoma um nível semelhante ao das mulheres que nunca fizeram THS.

Revisão dos riscos e benefícios da THS
Como resultado dos aspectos realçados nos estudos WHI e MWS, um grupo de peritos de vários países da Europa reavaliou os riscos e os benefícios da THS e elaborou um relatório contendo novas recomendações sobre o uso desta terapêutica. As principais conclusões são as seguintes:

- Para o tratamento dos sintomas do climatério, por curtos períodos de tempo, o balanço benefício-risco é favorável, pelo que a THS permanece como uma opção de tratamento adequada. A dose mínima efectiva deverá ser utilizada durante o mais curto período de tempo.
- Para o uso na prevenção da osteoporose por longos períodos de tempo, em mulheres com risco acrescido de fracturas, o balanço benefício-risco é desfavorável. A THS deverá ser utilizada apenas na prevenção da osteoporose em mulheres que não toleram outros medicamentos para esta indicação ou quando outros tratamentos não tenham sido bem sucedidos.
- Em mulheres saudáveis sem sintomas, o balanço benefício-risco é globalmente desfavorável, não sendo recomendada a THS.

Informação a reter
• Não é necessário contactar com urgência o seu médico.
• Não é necessário alterar o tratamento se está a usar a THS para o tratamento dos sintomas do climatério por curtos períodos de tempo. Contudo, deverá falar com o seu médico sobre o tratamento (pelo menos uma vez por ano) para confirmar a adequabilidade do mesmo.
• Se está a usar a THS para prevenção da osteoporose (e não apresenta sintomas relacionados com a menopausa), deverá marcar uma consulta de rotina com o seu médico por forma a aconselhar-se sobre alternativas terapêuticas mais adequadas.



Para qualquer esclarecimento adicional deverá contactar o seu médico, podendo ainda ser obtidos outros esclarecimentos junto de:

- Centro de Informação do Medicamento e Produtos de Saúde do INFARMED, através da Linha Verde do Medicamento: 800 222 444 ou por correio electrónico: centro.informacao@infarmed.pt
- Direcção da Gestão do Risco e de Estudos Epidemiológicos, através do telefone: 21-7987140 ou por correio electrónico: farmacovigilancia@infarmed.pt
- Grupo de Dirigentes das Autoridades Competentes de Medicamentos (Heads of Agencies): http://heads.medagencies.org
- Agencia Europeia de Avaliação de Medicamentos:
http://www.emea.eu.int/pdfs/human/press/pus/3306503en.pdf

INFARMED, 3 de Dezembro de 2003